A quinta edição da versão portuense do Primavera Sound lá passou e deixou saudades. Foram três dias bem cool no Parque da Cidade do Porto, horas e horas de boa música, e a certeza de que voltaremos em 2017. Como souvenir, deixo-te uma selecção do que de mais recomendável ouvi por lá, uma amostra da diversidade de géneros e estilos a descobrir.

Sigur Rós – Óveður

Os Sigur Rós regressaram e muito se disse sobre a longevidade da banda.
Com um disco na calha, o Primavera Sound foi um óptimo momento para
ouvir música nova em palco. Uma sonoridade diferente, riscada e
arriscada, que surpreendeu. Os islandeses são tradicionalmente étereos,
mas em “Óveður” navegam por mares mais experimentais. Uma lufada de ar
fresco que augura um bom futuro.

Cass McCombs – Big Wheel

Se eu sonhasse fazer uma roadtrip pela América, este “Big Wheel” seria a
minha companhia de eleição. Cass é um dos cantautores folk mais
geniais, que as massas ainda não descobriram. A sua música apela a
todos. Num verdejante fim de tarde, com o sol a brilhar e o calor a
fazer-se sentir, este temaço fez-me viajar imaginariamente até ao midwest árido e distante.

Shellac – Steady As She Goes

Sei que foi retirado do disco de 2007, mas facilmente poderia fazer
parte da banda sonora dos anos 90. Noise misturado com garage, rock como
já não se faz, fruto de um espírito inconformista perante o establishment. E um pouco de trivia: Steve Albini, voz da banda, é um célebre e influente produtor, tendo trabalho em álbuns míticos de Nirvana, Bush e outros deuses do rock à escala global.

Battles – Atlas

Nove anos depois, dois álbuns mais tarde, é nesta estreia que os Battles
se superam. A interpretação ao vivo da música original melhora com a
passagem do tempo, o coro vocal traz uma alegria inexplicável à
sonoridade matemática e repetitiva. Entre bateria e guitarras, o que os
nova-iorquinos fazem soa a tudo, excepto à instrumentação “clássica” da
sua música.

Car Seat Headrest – Creep

A coqueluche da Matador Records e do indie em geral estreou-se em
Portugal e eu não vi. Lá está, escolhas num cartaz bem recheado dá
nisto. Contudo, antecipo com muita segurança que não foi uma
oportunidade única, a relação com os portugueses está para durar e ainda
os devemos ver num Mexefest ou até num Alive.  Em pleno soundcheck,
contudo, ouvi-o a fazer a sua versão da “Creep” dos Radiohead e gostei
muito. Embora os autores do original até já tenham renegado o malhão que
os trouxe ao mundo, a verdade é que é clássico rock intemporal. Aquela
guitarra seca toca bem alto e dentro de nós, basta que deixemos.

Copy: Isabel Leirós para arte-factos.net