Decorreu na passada sexta-feira, 12 de Junho, o encontro «Admirável Mundo Novo», na Casa da Música do Porto. Tendo como ponto de partida a reflexão de Aldous Huxley, a conferência debateu as mudanças tecnológicas e o seu impacto no quotidiano, assim como a necessidade de as anteciparmos, preparando o nosso futuro. 

image

Considerei o painel «Economia 2.0» com o economista Tyler Cowen, o mais interessante. Numa visão bastante alargada do futuro, o norte-americano antevê que o talento e as características mais distintivas irão permitir ao indivíduo encontrar o seu lugar no mercado do trabalho.

Num futuro próximo, o sistema educativo não mais poderá ser normalizado, mas sim motor de identificação e desenvolvimento de talentos – uma revolução que já vai acontecendo em algumas geografias. Seremos cada vez mais únicos e diferenciados, factor de valorização no mercado de trabalho. 

O grau académico irá adquirir menor importância, grandemente porque o mercado requer resposta imediata às suas necessidades – urgência incompatível com os tempos do sistema escolar -, tendência que também já se verifica no sector tecnológico.

Depreende-se assim que haverá um alinhamento cada vez mais perfeito entre aquilo que nos apaixona e aquela que é a nossa profissão. E porque é este cenário perfeito? Porque quão mais emocionalmente envolvido estivermos, mais bem-sucedidos seremos na execução de uma qualquer tarefa.
E, em última análise, o tempo que lhe dedicamos será mais proveitoso e de desenvolvimento pessoal. 

Para muitos, tal visão de um mundo mais equilibrado poderá ser meramente utópica. Porém, eu acredito que se é para anteciparmos o futuro e o definirmos, devemos fazê-lo procurando sempre melhorar a situação actual – especialmente porque já todos percebemos que vivemos num tempo imperfeito, desigual e injusto, para grande parte da população à escala global.

Copy: Isabel Leirós