Adoro uns dias de férias no Outono: há menos turistas, o tempo convida ao passeio, as cidades inauguram as iluminações natalícias que até lhes dão outro encanto! O meu destino deste ano foi Inglaterra, uma pequena cidade com pouco mais de 200 mil habitantes, e que muitas vezes figura como o centro urbano da série de época Downton Abbey: York.
Chegar até lá é uma tarefa fácil ou não tivesse o Reino Unido uma exemplar rede ferroviária. Eu parti de Liverpool, numa viagem que durou cerca de duas horas a bordo da Transpennine Express. Foi uma bonita travessia pelos Pennines, região montanhosa e rural em que as casas de tijolo se misturam com propriedades agrícolas de perder a vista.
Logo à chegada, fui presenteada com o National Railway Museum, uma grande exposição em dois pavilhões de máquinas de todos os tempos: desde o Flying Scotsman
que ligava Edimburgo a Londres já no século XIX, às carruagens da família real Britânica, sem esquecer as super máquinas de hoje como o Bullet Train. Destaque para  os comboios que faziam o transporte de militares feridos durante a I Guerra Mundial, uma homenagem aos homens e mulheres que defenderam o seu país, assinalando o Centenário do conflito.
York habita dentro de uma muralha, cujo interior é possível circundar a pé, sendo o seu principal cartão de visita juntamente com outros monumentos e achados históricos, como é o caso do Clifford’s Tower, a York Minster e o Micklegate. Ah! E, claro, foi onde nasceu Guy Fawkes, imortalizado no remember, remember, the 5th of November.
Mas a par deste património, existe uma cidade moderna e vibrante. Aliás, a minha passagem por lá coincidiu com o Aesthetica Short Film Festival, um festival de curtas-metragens e de qualificação para os prémios da BAFTA –
British Academy of Film and Television Arts. Anualmente, vou a 4 ou 6 festivais de Cinema em Portugal e garanto que o de York esteve taco-a-taco ao nível da qualidade da programação. Contudo, foi espantoso o número de salas que receberam exibições: cinemas, teatros, centros culturais, bares e museus – todos com excelentes auditórios para a maratona de 400 filmes.
Para quem quiser fazer umas compras, é a cidade perfeita. Todo o centro é um centro comercial a céu aberto, com deliciosas livrarias para todos os gostos. Uma passagem pelas Shambles é obrigatória: a arquitectura medieval transporta-nos para outros tempos e os melhores negócios locais estão por lá à nossa espera.
Por todo o lado encontramos ainda requintadas casas de chá, bistrôs e bakeries tradicionais. Recomendo vivamente a ementa gourmet da Mannion & Co., a reconhecida sanduíche de porco cozinhado a fogo lento na Shambles Kitchen, o afternoon tea da Betty’s Tea Room, os petiscos da Your Bike Shed, e o fish & chips no Drakes.
Hotéis não faltam, ocupando os edifícios tradicionais. Decidida a emergir neste ambiente mais caseiro da cidade, fiquei pela primeira vez num bed & breakfast britânico: o The Farthings. E que experiência foi! Uma casa acolhedora nos seus 3 pisos, gerido por uma família que fez de tudo para que a minha estadia fosse perfeita.
Agora que já sabes como foram as minhas mini-férias e por onde andei, pergunto-te: quando visitas York? 🙂